※ Imagem gerada por IA
No Brasil,
há mais de 120 anos,
houve um momento em que um único médico
conseguiu salvar todo um país
de uma grave crise causada por doenças infecciosas.
Hoje, seu nome é pouco lembrado,
mas ele foi um dos pilares da saúde pública brasileira:
Oswaldo Cruz.
Diante da atual dificuldade enfrentada pelo Brasil com a dengue,
é natural que surja a seguinte pergunta:
Naquela época vencemos a febre amarela,
por que a dengue é tão difícil de controlar hoje?
🦟 A febre amarela não foi, desde o início, uma “doença do mosquito”
No final do século XIX,
a febre amarela era uma doença devastadora,
capaz de paralisar a sociedade brasileira.
Naquela época, porém,
nem mesmo a sua causa era claramente conhecida.
Havia opiniões divididas:
-
Era uma doença contagiosa
-
Não era contagiosa
A ideia de que “o mosquito transmitia a doença”
era vista como absurda
e tratada como uma teoria sem base científica.
🇧🇷 Um experimento em que ninguém acreditava
Em 1896,
na cidade de Jaú, no estado de São Paulo,
o médico Emílio Ribas viveu uma experiência surpreendente.
Órfãos foram isolados em um hospital repleto de pacientes com febre amarela,
mas as crianças não adoeceram
e até aquelas que estavam doentes se recuperaram.
Esse episódio tornou-se um indício importante de que
a febre amarela não era transmitida diretamente entre pessoas.
🦟 O mosquito como resposta — e o aumento das zombarias
Com o tempo,
as pesquisas passaram a se concentrar nos mosquitos.
Com base nos estudos do médico cubano Finlay,
começou a se fortalecer a ideia de que o vetor da febre amarela era o
Aedes aegypti.
Ainda assim,
quase ninguém teve coragem de transformar essa teoria em política pública.
O motivo era simples:
as pessoas não acreditavam.
🧑⚕️ Oswaldo Cruz: o caminho escolhido em meio às críticas
Em 1903,
Oswaldo Cruz foi nomeado
responsável pela saúde pública do Brasil.
Sua conclusão foi clara:
Antes dos medicamentos, vêm a higiene e o ambiente.
Ele iniciou ações diretas:
-
inspeções sanitárias casa por casa
-
eliminação de água parada
-
remoção de lixo
-
limpeza de caixas-d’água
-
destruição de criadouros de mosquitos
A reação foi imediata e intensa.
A imprensa o ridicularizou,
jornais publicaram charges e críticas,
e a população resistiu às medidas sanitárias obrigatórias.
Mesmo assim, ele afirmou:
“Em três anos, a febre amarela será eliminada.”
⏳ Três anos depois
Com o passar do tempo,
o número de mortes por febre amarela começou a cair de forma visível,
especialmente durante os verões,
quando antes os óbitos aumentavam drasticamente.
Ao final de apenas três anos,
o Brasil conseguiu erradicar a febre amarela urbana.
A febre amarela não desapareceu por causa de uma única vacina.
Ela recuou porque o ambiente foi transformado.
🧠 O que é diferente na dengue de hoje?
Após a febre amarela,
os mosquitos não desapareceram.
Em vez disso, surgiram doenças com outros nomes:
dengue, zika, chikungunya.
O motivo é claro:
O ambiente permaneceu praticamente o mesmo.
A doença mudou de nome,
mas as condições para que ela surgisse continuaram existindo.
🌱 Por isso, a resposta para a dengue não é nova
A dengue atual
não será resolvida apenas com vacinas.
São indispensáveis:
-
melhorias ambientais
-
controle sanitário
-
cooperação da população
Sem essas três ações em conjunto,
as doenças retornam, apenas com nomes diferentes.
O que Oswaldo Cruz fez
não foi um milagre,
foi execução prática.
Ele devolveu às cidades
condições mínimas para que as pessoas pudessem viver.
🕰️ Por que precisamos registrar e conhecer a história?
Relembrar acontecimentos de 120 anos atrás
não é um exercício de nostalgia.
Cada decisão tomada naquele período
continua oferecendo respostas
para os problemas que enfrentamos hoje.
Oswaldo Cruz viveu em uma época
com menos ciência, menos tecnologia
e pouco consenso social.
Mesmo assim,
em meio a críticas e zombarias,
ele escolheu o caminho mais básico:
higiene e ambiente.
Essa escolha se tornou
a base da saúde pública brasileira até hoje.
A história não existe para ser romantizada.
Ela precisa registrar também
os períodos difíceis, sombrios e dolorosos.
Porque é neles que estão
as causas dos fracassos,
as escolhas que não devem ser repetidas
e as soluções que podem ser retomadas.
A dengue que enfrentamos hoje
não é um problema totalmente novo.
Há mais de um século,
alguém já enfrentou uma crise estrutural semelhante
e decidiu agir.
✍️ Considerações finais
A história que não é lembrada se repete.
A história registrada se torna uma ferramenta para proteger o futuro.
👉 Para conhecer mais sobre Oswaldo Cruz e sua história, clique aqui.

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