
No início da imigração, a igreja não era apenas um espaço religioso,
mas um lugar onde as pessoas encontravam forças para continuar.
Nos primeiros anos da imigração coreana no Brasil,
a igreja não foi apenas um local de culto.
Foi um espaço onde pessoas se encontravam,
compartilhavam dificuldades
e aprendiam a suportar a vida em uma terra desconhecida.
No centro desse espaço,
havia pastores que assumiam silenciosamente
a sua parte de responsabilidade.
Entre eles,
estava o pastor Kim Hak-jong.
Uma igreja sem pastor
Depois da união da Igreja Canaã com a Igreja América do Sul,
a comunidade ficou, por um tempo, sem direção.
O pastor titular havia renunciado repentinamente,
as finanças estavam no limite,
e a igreja era pequena demais
para atrair alguém disposto a assumir a liderança.
Foi nesse momento que o pastor Kim Hak-jong
decidiu assumir a responsabilidade pela igreja.
A condição era simples:
dois anos de trabalho sem remuneração.
Falar era fácil.
Viver dessa forma, não.
Um homem que não precisava de nada
O pastor Kim não exigia nada para si.
Comprou com recursos próprios um órgão Yamaha,
que na época tinha um valor considerável,
e o doou à igreja.
Além disso, viveu sem receber salário.
A maioria dos membros da igreja
não conhecia a real situação financeira do pastor.
Mesmo trabalhando sem remuneração,
ele nunca demonstrou qualquer dificuldade.
As pessoas apenas pensavam:
“Talvez o pastor esteja em boas condições.”
Como eu o vi naquele tempo
Naquele período,
eu ajudava na igreja ensinando crianças,
participava do coral
e colaborava na produção do boletim dominical.
Os dois filhos mais velhos do pastor tinham idade próxima à minha,
e convivíamos como amigos.
Talvez por ter sido presbítero antes de se tornar pastor,
ele tinha senso de humor,
mas no púlpito sempre transmitia a mensagem
de forma direta e sem adornos.
Em três ou quatro anos,
a Igreja Yeonggwang cresceu visivelmente.
Ela deixou a antiga área da comunidade coreana,
considerada insegura,
e mudou-se para a região de Pari,
mais estável e segura.
Pouco tempo depois,
o pastor Kim partiu silenciosamente para os Estados Unidos.
Depois de cumprir o que acreditava ser sua missão,
esperando que a igreja continuasse a crescer.
Uma vida revelada apenas depois da partida
Antes de sua mudança para os Estados Unidos,
ajudei na mudança de sua casa.
Não havia cama.
Apenas alguns colchões simples
e o mínimo necessário para viver.
Foi então que percebi:
ele realmente não havia guardado nada para si,
vivendo inteiramente para a igreja.
A mesma escolha nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, em Los Angeles,
o pastor Kim assumiu novamente uma igreja coreana.
E, mais uma vez,
fez isso sem receber remuneração.
Naquela época,
eu estudava medicina oriental na Coreia
e, depois de me transferir para os Estados Unidos e me casar,
passei a frequentar a igreja onde ele servia.
Foi ali que soube que ele continuava vivendo
da mesma forma que havia vivido no Brasil.
Certo dia,
na casa do pastor, a quem eu tratava como um pai,
li uma carta enviada por seu segundo filho, Kim Seong-hyeon,
que permanecera no Brasil.
Naquele tempo, ligações internacionais eram caras,
e a carta, escrita em coreano ainda inseguro,
contava que, durante o período em que o pai servia a igreja no Brasil,
não havia comida em casa.
O filho mais novo ajudava pessoas na feira (Feira),
carregando compras,
e com o dinheiro comprava pão,
chorando de fome.
No final da carta, havia apenas uma pergunta:
“Pai, agora o senhor está vivendo um pouco melhor?”
Foi então que compreendi.
O pastor nunca demonstrou suas dificuldades,
nem mesmo para os próprios filhos.
Talvez os filhos entendessem o coração do pai,
pois nem as pessoas,
nem os membros da igreja,
sabiam de nada disso.
Até o fim no púlpito
O pastor Kim Hak-jong continuou pregando
até cair no púlpito por causa de um câncer no fígado.
Mesmo após uma nova cirurgia,
quando já não tinha forças,
ele continuou subindo ao púlpito sempre que possível.
Para ele,
o ministério não era uma profissão.
Era uma forma de viver.
Reflexão final
Durante a década de 1970,
a comunidade coreana no Brasil contou
com pastores que carregavam
responsabilidade e senso de missão.
Em meio a problemas de imigração
e instabilidade na vida cotidiana,
as pessoas resistiam pela fé,
e a igreja estava no centro dessa resistência.
A vida de um pastor que não poupava a si mesmo
tornou-se um dos pilares
que sustentaram a comunidade.
Por isso, a história do pastor Kim Hak-jong
não é apenas um relato pessoal,
mas um registro de como uma geração inteira
conseguiu perseverar.
A igreja salvou pessoas,
e, em certos momentos,
foram as pessoas que restauraram a igreja.
No próximo texto,
pretendo contar como, pouco a pouco,
amigos começaram a surgir,
e como a vida de imigrante passou a ganhar
um pouco mais de espaço e tranquilidade.
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