Pelo meu jeito, eu nunca fui alguém que se envolvesse com esse tipo de organização.
Mas havia ali um amigo de longa data, o “Hong-il”.
Um amigo por quem eu sempre senti uma espécie de dívida no coração.
Por isso, não consegui recusar o pedido feito por seu irmão.
Talvez eu tenha pensado que aquela seria uma forma diferente de pagar essa dívida.
Foi assim que comecei a ajudar na divulgação da Associação Coreana
e, pouco tempo depois, acabei assumindo também a produção do jornal da associação.
Buscando conteúdos para o jornal, passei naturalmente a procurar
coreanos que, de forma silenciosa, faziam coisas boas dentro da sociedade brasileira.
Queria apresentar essas pessoas à comunidade coreana
e tocar o coração dos leitores, de uma maneira simples e verdadeira.
Foi nesse processo que, por meio da então vice-diretora cultural da associação, Lisa,
ouvi falar de um lugar chamado Irmãs de Maria.
Disseram-me que havia uma escola, administrada por freiras, na região de São Bernardo.
6 de março de 2011
Coloquei o endereço no GPS e saí.
Era domingo, as estradas estavam tranquilas,
mas, à medida que me afastava da cidade, o caminho se tornava cada vez mais estranho.
“Será que existe mesmo uma escola num lugar desses?”
Sinceramente, eu estava cheio de dúvidas.
Já dentro da cidade de São Bernardo,
andei perdido por várias ruas estreitas,
e mesmo ao chegar quase ao fim do caminho, ainda não tinha certeza de nada.
(Naquela época, o GPS não era tão preciso quanto hoje e os erros eram frequentes.)
“Não pode ser ali...”
Num lugar tão isolado, vi um prédio com uma entrada surpreendentemente bem feita,
mas passei direto na primeira vez.
Desci do carro, aproximei-me
e só ao ver um pequeno aviso fixado na porta
percebi que aquele era, de fato, o lugar que eu procurava.
Por ser domingo, o portão estava fechado.
Toquei o interfone e expliquei que havia vindo para encontrar as freiras.
Pouco depois, o portão se abriu.
Ao entrar
No momento em que, guiado pela freira, entrei no prédio,
confesso que fiquei um pouco atônito.
Um bairro afastado, um lugar escondido.
Mas o que havia ali dentro
não tinha nada a ver com a “pequena escola” que eu imaginava.
Um prédio novo, corredores longos,
um interior limpo, organizado e sereno.
“É aqui mesmo…?”
Era difícil dizer se aquilo era um convento, uma escola ou um hospital.
À primeira vista, não era possível definir.
Primeira impressão, e um sentimento estranho
Lembrei-me do que havia ouvido ao telefone.
“Trabalhamos de forma discreta, sem divulgar nosso trabalho.”
Naquele momento, comecei a entender o que aquilo realmente significava.
Um lugar que não se exibe,
mas que jamais faz nada de qualquer jeito.
Mesmo antes de conhecer os espaços internos em detalhes,
tive a sensação de que ali o local falava mais do que qualquer explicação.
Naquele dia, eu não tinha ido exatamente para fazer uma reportagem.
Talvez estivesse mais para “dar uma olhada”.
Mas só aquela primeira impressão já foi suficiente
para perceber que aquele não era um lugar que se pudesse simplesmente ignorar.
E essa impressão,
à medida que eu avançava para dentro,
foi se transformando em convicção.
※ Este texto é baseado em uma visita realizada em 6 de março de 2011,
com fotos e anotações feitas pessoalmente naquele dia.
O texto original, escrito há cerca de 15 anos,
foi reorganizado e republicado com a ajuda de IA
como parte do registro “50 anos de imigração”.
Naquele dia, eu não fui apenas visitar uma escola.
Ali nasceu uma pergunta que não me deixou em paz:
por que nunca tínhamos ouvido falar dessa história?
No próximo texto, contarei o que vi dentro da instituição
e por que aquele lugar realmente representa
o significado de “trabalhar em silêncio”.
〈Parte 2: O que vi naquele dia, lá dentro〉


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