※ Antes de começar
Este texto não tem como objetivo avaliar ou criticar a Associação Beneficente Coreana.
Trata-se de um relato pessoal, baseado em mais de 15 anos de convivência, participação e observação direta.
As reflexões sobre possíveis soluções serão apresentadas em um próximo texto.
Aqui, procuro registrar apenas os fatos e a realidade vivida, sem julgamentos ou conclusões definitivas.
Um envolvimento que começou por acaso
Meu contato com a Associação Beneficente Coreana começou quando, de forma quase forçada, fui incluído como membro da diretoria.
Naquele momento, a ideia de publicar um boletim comunitário existia, mas os custos impediam o avanço.
Foi então que, quase sem pensar, eu disse:
“Então nós mesmos podemos fazer.”
Essa frase simples acabou se tornando o início de uma grande responsabilidade.
Hoje, olhando para trás, considero uma das grandes imprudências da minha vida.
Foi depois que aprendi que palavras e decisões precisam de tempo para amadurecer.
Conciliar o atendimento na clínica com a produção mensal do boletim exigia um desgaste mental enorme, muito maior que o físico.
Metade dos envolvidos mal utilizava e-mail, e muitos materiais precisavam ser organizados em papel.
Em certos momentos, a sensação era de estar fora do tempo.
Provavelmente, até hoje, poucos conseguiram imaginar o peso daquela fase.
A Associação Beneficente e a realidade deixada pelo tempo
A Associação Beneficente Coreana foi um dos locais que visitei para a elaboração do boletim comunitário. Minha primeira visita ocorreu em 25 de setembro de 2010, durante uma comemoração do Dia das Crianças.
O prédio chamava atenção pelo tamanho.
De acordo com os registros da época, a Associação está localizada na Rua do Hipódromo, 125.
Após a compra de uma antiga fábrica de macarrão, o Sr. Kim Jeong-han doou o terreno de aproximadamente 500 m²,
e o Sr. Ju Seong-geon conduziu, ao longo de nove anos, uma grande reforma que resultou em uma área construída total de 1.406,77 m².
Fundada em 1983, a Associação iniciou efetivamente o atendimento médico mensal em julho de 2004.
Em 2010, quando a visitei, o presidente era o Dr. Ju Seong-ho.
Segundo suas palavras, o objetivo da instituição era claro:
não gerar benefícios individuais, mas construir uma imagem positiva da comunidade coreana na sociedade brasileira,
mostrando o valor de uma comunidade que sabe servir e contribuir.
Apesar de o prédio já aparentar sinais de desgaste, havia consultórios, sala cirúrgica e espaços educacionais.
Durante a semana, funcionavam atividades de contraturno escolar, aulas de taekwondo, informática e costura.
Aula de taekwondo para crianças realizada na Associação Beneficente Coreana, em 2023
Anos depois, ao retornar, percebi que o envelhecimento do prédio e a falta de manutenção estavam mais evidentes.
Mesmo após meu afastamento formal da associação comunitária, continuei ajudando a instituição junto com outros voluntários ao longo de 15 anos.
Os responsáveis sempre demonstraram dedicação, mas as limitações estruturais eram claras.
No final de 2024, fui procurado pela responsável administrativa informando que, com a aposentadoria do profissional anterior,
o atendimento de medicina tradicional coreana poderia ser interrompido.
Embora eu prefira atuar de forma independente, não consegui ignorar essa história construída ao longo dos anos
e aceitei assumir o trabalho em 2025, estendendo-o até 2026.
Deixo registrado aqui que este será realmente o último ano.
Em janeiro de 2025, ao retornar para os atendimentos, encontrei salas em condições precárias:
paredes descascadas, preocupações com higiene e cortinas improvisadas com fios elétricos.
Era difícil aceitar que pacientes fossem atendidos naquele ambiente.
Sei que os custos de manutenção sempre foram um grande peso para a Associação
e compreendo por que poucos aceitam assumir a presidência.
Ainda assim, mesmo em contextos difíceis, o mínimo de higiene em um espaço de atendimento deve ser preservado.
Antes do mês seguinte, realizamos pintura, organizamos a fiação improvisada e substituímos as cortinas.
Só então o espaço voltou a se parecer, minimamente, com um local de atendimento.
Hoje, a Associação Beneficente Coreana possui um prédio grande, porém pouco aproveitado,
com despesas de manutenção que superam os recursos destinados às atividades voluntárias.
Além disso, sua localização em uma área comercial extremamente movimentada já não corresponde bem ao uso atual.
A transição para um espaço menor, porém mais funcional e sustentável, não é simples,
mas tampouco é impossível.
Essa reflexão ficará para o próximo texto.
Talvez, inclusive, possamos encontrar pistas de solução observando conflitos e experiências vividas por associações de idosos da comunidade.

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